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Fucking News


Como deveriamos tratar os presos?

por Objecto

* Este texto de é um pouco grande e foi dividido em 3, por problemas técnicos, mas vale a pena lê-lo na integra!

Recebi há algum tempo um e-mail de um amigo protestando contra a prisão do Coronel Ubiratan que comandou a invasão do Carandiru no desastroso episódio de 1991.

Em seu e-mail, esse amigo criticava a prisão do genocida, pois “a sociedade e a Justiça deveriam estar preocupados com os direitos humanos dos cidadãos e não levando a julgamento um policial que cumpriu seu dever: ‘matar bandidos’”.

Infelizmente, hoje desconheço o paradeiro desse infeliz (o policial) por pura alienação, já que não tenho acompanhado os acontecimentos cotidianos nos meios de comunicação.

Escrevi uma “pequena” resposta a esse amigo, pois me assustaram as palavras que surgiram de uma pessoa de boa índole, bom cidadão que teve todas as oportunidades de formação de caráter, senso crítico e uma excelente formação intelectual.

Então, transcrevo abaixo minha resposta. Na época, alguns disseram que minha opinião não passava de retórica, mas isso não me impedirá de expressá-la, uma vez que não a imponho, simplesmente escrevo. Quem quiser ler, leia, quem não quiser, vá ocupar-se de outra coisa ou até criticar minha posição no espaço para comentários.

A propósito, logo após ler meu e-mail, o amigo que citei chamou-me de “defensor de bandidos” e disse que eu precisava ser assaltado e humilhado por um marginal para “entender” o que ele falava e para “aprender” a defender a “nossa” sociedade. Eu já fui assaltado três vezes, humilhado em uma delas e já perdi a conta das vezes em que escapei de um assalto ou presenciei atos horrendos de violência. Mantenho a opinião expressa a seguir, apesar de tudo isso.

O e-mail foi escrito antes da demolição do Carandiru, por isso faço alusões a fatos passados, desconhecendo o que viria pela frente.

PS: Preferi omitir o nome de meu amigo no texto abaixo.

____________________

Caro amigo,

Acho que direitos humanos são para todos os SERES HUMANOS.

O fato de a maioria dos presos assassinados serem criminosos perigosos não invalida a Declaração Universal dos Direitos Humanos e nem a Constituição Brasileira.

Digo a maioria dos presos, pois, caso não saiba, o Carandiru deveria ser uma Casa de Detenção e não um presídio. Por isso, muitos estavam lá esperando o julgamento e poderiam ser até inocentes. Muitos já terminaram suas penas ou foram absolvidos e ainda não saíram, pois a burocracia dificulta ou já perderam a papelada do indivíduo (isso é bastante freqüente).

Eu tenho raiva desses criminosos. Já fui assaltado três vezes, entraram na minha casa duas vezes, roubaram o carro do meu pai na porta da minha casa com uma pistola 45 na cabeça dele.

Porém, o fato de eu ter tido uma vida melhor, uma família estável, dinheiro para comer, vestir, estudar, viajar etc e por ter vivido num ambiente honesto e saudável, eu penso diferente “deles”.

Pena de morte é coisa de MALUCO como os americanos e os muçulmanos fanáticos. Se essa modalidade de pena for oficializada (por que extra-oficialmente ocorre todos os dias) será uma brutalidade, um retrocesso, um erro para todos. Para “eles” e para “nós”.

O fato de ALGUNS “deles” tirarem a vida de ALGUNS de “nós”, ou o dinheiro, ou a paz, ou qualquer outra coisa não nos dá o direito de vingar-nos “na mesma moeda”.

A humanidade evoluiu. Já podemos e devemos pensar os problemas sociais com conceitos de justiça, decência e racionalidade. Se eu aplico a um suposto criminoso a pena que ele teria aplicado a um “semelhante meu” eu sou igual a ele. A única diferença é que eu não sujei minhas mãos, mandei outro fazer por mim.



 Escrito por Jornaleiro às 06h16
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Parte II

Será que o erro de uma criatura como essa justifica o meu erro?

NÃO! NUNCA!

Se eu considero minha conduta melhor, mais correta, mais justa e coerente, não posso igualar-me a um criminoso e praticar a sua sentença.

Caro amigo, eu me revolto muito com a criminalidade, às vezes mais até do que você.

Mas deixa-me muito triste ver uma pessoa inteligente, sensata e bem formada como você defendendo uma medida tão retrógrada e irracional. Se fosse alguém criado em um ambiente menos saudável, sem valores de moral, ética e humanidade, eu entenderia.

Veja bem: eu acho que esses criminosos devem ser punidos, em geral por muito mais tempo do que são atualmente, acho que devem OBRIGATORIAMENTE trabalhar para pagar suas despesas e, dentro do possível, devem ser RECUPERADOS, ou seja, devem ser mantidos ocupados com coisas úteis e produtivas na maior parte do tempo. Não nos devemos conformar com esses criminosos, mas devemos aplicar-lhes penas EFICAZES.

Acho que tudo o que lhes for dado (comida, habitação, higiene, lazer e educação) deve ser cobrado com MUITO trabalho. É a única maneira de o sistema penal brasileiro melhorar. Em primeiro lugar, o custo cairá. Em segundo lugar, os presos terão uma pena mais severa e justa, pois não é correto ficarem “coçando o saco” e recebendo tudo de graça. Em terceiro lugar, terão a oportunidade de ocupar suas cabeças com algo útil, produtivo, o que certamente reduzirá os problemas de violência interna, o índice de fugas e até facilitará a REINTEGRAÇÃO do indivíduo à sociedade.

Para mim há três tipos de criminosos. O primeiro é o naturalmente criminoso, criatura que tem a violência e a brutalidade enraizadas na sua personalidade. Esse é irrecuperável e deve permanecer preso o máximo de tempo possível. O segundo é o indivíduo que se revoltou com sua condição ou que encontrou na criminalidade um caminho mais rápido, mais fácil e, às vezes, mais divertido de “se dar bem”. Acredito que com um sistema penal que imponha o TRABALHO e a REEDUCAÇÃO, boa parte deles pode recuperar-se. O terceiro grupo de criminoso é aquele que por sua condição social desprivilegiada e pela influência de um meio criminoso do local em que vive acaba sendo “absorvido pelo sistema”. Creio que esse é o grupo que tem a maior chance de recuperação e talvez o grupo mais numeroso.

Então eu pergunto: se podemos dar uma solução eficaz, racional e auto-sustentável para o sistema penal brasileiro, por que repetirmos o erro dos marginais, praticarmos um crime contra o SER HUMANO e ainda dar uma solução instável, insustentável e burra para o problema?

A sua solução é imediatista, limitada e ineficaz. Não adianta matar depois que o preso já está lá. A reforma do sistema penal deve estar inserida numa reforma do sistema de segurança pública. A polícia deve ser mais eficiente, menos corrupta e menos violenta. Diga-se de passagem, tortura ainda é uma prática insuportavelmente comum aí ao lado da sua casa ou ao lado da minha. Em uma pesquisa recente, um jornalista disse que em quase todas as delegacias do Brasil há sessões diárias de “pau-de-arara” e coisas do gênero. Por acaso você acha que isso reeduca? Por acaso você acha que o criminoso será menos “mau” por saber que se for preso será torturado e talvez assassinado? Pesquisas demonstram que nos países que adotaram a pena de morte, a violência não diminuiu.



 Escrito por Jornaleiro às 06h15
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Parte III

Afinal, o que você quer? Melhorar a sociedade de uma maneira segura e auto-sustentável ou dar vazão ao seu lado “xiita” e aumentar ainda mais a guerra social?

Cabem certos esclarecimentos dados em algumas reportagens que você não deve ter lido e também por um policial atendido pelo meu pai (que é médico) 3 meses após o episódio do Carandiru.

   1) 111 mortos uma ova! Morreram muito mais, talvez o dobro do número oficial. Tiraram corpos de lá pelo lixo, pelo esgoto etc. Depois de uma semana, ainda havia corpos sendo retirados “na moita”;

   2) Os presos mortos em “combate direto” foram minoria, cerca de 50. O resto foi executado a sangue-frio, com tiros na nuca ou no peito e, antes de serem mortos, tiveram de carregar os corpos dos demais;

   3) O episódio não reduziu em nada a violência interna, não reduziu o poder das organizações criminosas que ali existiam, tanto que pouco tempo depois nasceu o P.C.C..

Sabe, cara, eu já fui a favor da pena de morte. Já achei que matar um criminoso economizaria a vida e a tranqüilidade de muitos inocentes. Hoje, depois de ler um pouco, de discutir e de ver o resultado prático em locais em que essa é uma prática usual, creio que não é uma solução boa.

Você não se considera melhor que “eles”? Então por que usar “lei” deles?

Hoje, acho que se APENAS UM inocente morrer sob essa “regra”, NADA TERÁ VALIDO A PENA. Sabe por quê? Por que esse inocente pode ser VOCÊ, pode ser EU, pode ser sua mãe, a minha empregada ou o filho que ela luta tanto pra criar. A justiça dos EUA já assumiu OFICIALMENTE a morte EQUIVOCADA de mais de 25 inocentes. Em geral foram casos mal explicados, em que o réu não teve uma boa defesa e que (por ser pobre, latino ou negro) acabou sendo culpado. Depois algum fato esclareceu o crime e o real culpado foi identificado. Se assumiram 25, devem ter matado mais de 100 inocentes. Será que valeu a pena?

Não é possível que uma pessoa como você, com excelente formação intelectual e cívica, tenha um pensamento tão pequeno, tão raivoso e tão distorcidos por valores velhos e equivocados.

Ao invés de perder seu sono preocupado em matar os criminosos, procure pensar na solução do problema fundamental, da questão original. Procure lutar – dentro de suas limitações de profissional e cidadão – por uma sociedade justa e honesta, por um governo decente, por uma polícia que preste, por um sistema JUDICIÁRIO e PENITENCIÁRIO justo e eficiente. Caso contrário você estará “tapando o sol com a peneira” e dando continuidade ao problema.

Eu gastei 60 minutos para escrever esse texto para você, pois acho que refletindo um pouco, você poderá enxergar o problema por uma outra óptica.

Não defendo criminoso e nunca o farei. Defendo apenas o cumprimento da Lei e a adoção de medidas que realmente resolvam o problema no médio e no longo prazo, afinal pretendo viver por mais uns 80 anos e ver esse país melhor.

  Meu caro amigo, por favor, pense nisso.

  Um grande abraço, Objecto.

   objecto@terra.com.br

   http://objecto.blogger.com.br

 

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 Escrito por Jornaleiro às 06h14
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Posso parcelar?

            Na nossa atual cultura de consumismo, é muito comum ouvirmos, pague em doze vezes. Mas não mostra que o preço fica em média 25% acima do que se você pegar a vista, isto se não ficar acima! Uma pesquisa que lemos a pouco, aqui na redação, diz que isto não é tão comum em outros países.

            Tudo bem, se for algo de alto custo, como um apartamento, casa ou um carro um bem durável, mas o que custa poupar o dinheiro e poder pagar à vista se livrando assim do crédito. O mais absurdo tem sido os créditos para pagar crédito. Ir a uma agiota, digo uma financeira que cobra aproximadamente 27% de juros. Você paga uma dívida menor e consegue ficar devendo mais. Incrível como tem gente que faz isso!

            Se soubéssemos difundir melhor, há um crédito pessoa em bancos que tem juros menores que a taxa celic, por volta de 3%, com ele é bem mais fácil. Melhor que cheque especial que tem média de 11%, melhor que cartão de crédito que é aproximadamente 13%.

            O melhor seria se nos educássemos como gestores, ou administradores pessoais, assim como o governo criou a lei de responsabilidade fiscal, não podendo gastar mais do que arrecada, deveríamos seguir o exemplo da lei. Da lei por que na prática não é sempre assim. L

            A diferença é que o governo pode gastar mais que pode, pois pode emitir títulos e capitar dinheiro de investidores em dólar, mas nós não!

 

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 Escrito por Jornaleiro às 18h31
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Real necessidade na educação

Chamar de "politicamente corretas" a progressão continuada e as cotas nas universidades é muita bondade sua (Equipe Fucking News). Isso é um atestado de INCOMPETÊNCIA e a confirmação de que nossos governantes não têm a menor idéia de como alterar a ESTRUTURA do ensino no país e de que eles não devem ter muito interesse em mudar isso.

Educação é o princípio fundamental de qualquer mudança social verdadeira e definitiva. Quando um governo (FHC ou Lula) tenta "tapar o sol com a peneira" e cria aberrações como a aprovação indiscriminada e as cotas para viabilizar a chance que não foi dada aos excluídos desde o primário, está assumindo que não sabe (ou não quer) resolver o problema em suas origens.

Um problema secular (desigualdade social, de oportunidades, de educação) não se resolve com uma mera "canetada". Pobre é o povo cujos governantes crêem nisso ou que, com gestos estúpidos como esses, tentam enganá-lo. Sinto muito, a merda original foi feita há 500 anos e segue-se fazendo merda até hoje. MUDAR a estrutura social de desigualdade e opressão dos excluídos (não apenas os negros) é muito mais difícil e demorado. Assim como em um mandato de 4 anos não se resolver o problema do transporte público de São Paulo, solucionar a defasagem sócio-cultural da população brasileira leva MUITO tempo. Porque não começamos pagando melhor os professores? Dando-lhes treinamentos, avaliando-lhes, melhorando as condições das escolas? Tem corrupção até na compra de merenda escolar!

O Brasil é tido como um país sem preconceito, porque não há conflitos diretos entre as classes. Mas o preconceito está aí, em todos os momentos, em todas as classes. Se, por qualquer razão, eu tenho um tratamento diferente do que terá um negro como cidadão, essa sociedade é preconceituosa. Dos 130 alunos que concluíram o curso de Engenharia Civil no meu ano, apenas um (o Chuchu) era negro e ganhou o diploma merecidamente.

De que adianta aprovar um negro, ou um branco pobre, ou japonês, ou um nordestino, ou um homossexual, ou um filho de mãe solteira na Universidade se MUITO ANTES já lhes foi negado o direito a uma educação decente? Vai ser um desastre. E aí, para resolver o novo problema, os futuros governantes irão instituir a progressão continuada nas Universidades públicas também para que os infelizes aprovados pelas cotas possam ter diploma. Pobres excluídos pseudo-incluídos, pobres bons alunos que perderam a vaga, pobre sociedade que ganhará péssimos profissionais, pobre civilização que tenta corrigir um vício social com a oficialização da diferença pela cor.

Sejamos razoáveis. É óbvio que todos deveriam ter direito a ensino superior, mas antes temos problemas MUITO mais graves e urgentes no ensino básico e médio para resolver. Se for para resolver a questão, ataquemos em todas as frentes. É coisa de Kamikaze achar que se ganha a guerra matando alguns inimigos e matando-se a si próprio. Mesmo que a "mula" que teve essas idéias fosse bem intencionada, seguir com isso não vai resolver nada e, a exemplo do que já citei, pode terminar por sucatear TAMBÉM o ensino superior público no Brasil que mal e porcamente mantém-se em níveis aceitáveis.

"E o salários, ó..."

            Abraços, Objecto.

            objecto@terra.com.br

                http://objecto.blogger.com.br

Texto enviado por Objecto! Obrigado pela contribuição!

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 Escrito por Jornaleiro às 00h24
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